Hoje sou candidata a deputada federal e vereadora da cidade do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores (PT-RJ). Mas essa história não começa aqui.

Nasci no ano de 1983 na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na Praça Seca — um bairro que é muito mais que um ponto de conexão entre a Baixada de Jacarepaguá e o subúrbio; é o lugar onde aprendi a ler a cidade. Desde cedo, vivi na pele os desafios de quem depende de transporte público, busca por moradia digna e convive com as complexidades da segurança pública na periferia.

Minha trajetória escolar começou na rede pública da região e seguiu para o Colégio Pedro II. Foi ali que meu pensamento crítico e minha consciência social ganharam corpo, moldando a postura que carrego até hoje. Com essa base, ingressei na Escola de Arquitetura e Urbanismo (EUA) da UFF, o ponto de partida para a minha missão de repensar o espaço urbano.

Minha formação nunca parou: especializei-me em Patrimônio Cultural pela Fiocruz e tornei-me Mestre em Urbanismo pelo PROURB/UFRJ. Sou uma mulher de origem humilde e suburbana, e se hoje ocupo esses espaços, é porque tive na minha avó uma figura determinante. Ela sempre me incentivou a ocupar a academia e a política, lugares que muitas vezes tentaram nos dizer que não eram nossos.

Movida pelo desejo de melhorar a vida das pessoas, tornei-me liderança estudantil e atuei na Pastoral de Favelas. Eu queria entender como levar políticas públicas reais para mulheres negras e periféricas como eu. Formei-me arquiteta interessada em resolver problemas da vida real e, em 2020, fui eleita vereadora pela primeira vez pelo Partido dos Trabalhadores, com uma votação que já demonstrava a força da nossa mensagem.

Em 2024, a confiança do Rio em nosso trabalho foi reafirmada de forma histórica: fui reeleita como a mulher mais votada de toda a cidade neste ano, somando quase 50 mil votos (49.986). Como parlamentar, transformei minha vivência técnica e social em leis fundamentais para o Rio. Entre as minhas principais entregas no Legislativo, destaco:

conjunto de mecanismos, normas e unidades territoriais destinadas à conservação da biodiversidade e do patrimônio natural dentro do município do Rio de Janeiro. Gerido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC), o SMAP organiza as áreas que possuem restrições de uso para garantir a preservação de ecossistemas como a Mata Atlântica, manguezais e restingas.

marco que reconhece juridicamente as favelas como parte integrante da estrutura urbana, garantindo que o Plano Diretor direcione investimentos e políticas de urbanização específicos para esses territórios. A gestão urbana passa a tratar essas áreas como prioridade no planejamento e na regularização fundiária da cidade.

criado através da Lei nº 8.162/2023, consolidou a proteção de uma importante área de Mata Atlântica. A área era alvo de interesse para construção de prédios, e a transformação em parque garantiu a preservação da encosta. É uma extensão da vegetação do Maciço da Tijuca, sendo fundamental para a fauna local (especialmente o bicho-preguiça, que dá nome ao local) e para o controle da temperatura no bairro.

Entre 2023 e 2026, tive a honra de ser a primeira mulher negra a assumir a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio. Minha gestão foi pautada pelo combate à injustiça climática e pela soberania alimentar. À frente da pasta, desenvolvi programas que unem o cuidado com a terra ao protagonismo feminino e territorial. Dentre minhas entregas no executivo, destaco:

Criação de um protocolo de gestão de crises térmicas na cidade que inclui ações que vão desde a prevenção até a suspensão de atividades. Já o Observatório do Calor foi implementado no Complexo do Alemão em parceria com a ONG Voz das Comunidades, utiliza sensores para monitorar ilhas de calor extremo e qualidade do ar, com dados coletados por moradores capacitados como “agentes do clima”.

capacitação de mulheres em mais de 30 comunidades para atuar na preservação e na produção de itens sustentáveis (velas, biojoias), um modelo global de protagonismo feminino e periférico na adaptação climática.

Transformação de áreas de descarte irregular de resíduos em infraestrutura verde e social. O projeto integra o monitoramento de dados de calor com equipamentos de segurança alimentar, como a Cozinha Sustentável e a expansão de hortas locais, combatendo o racismo ambiental no coração do complexo.

programa de arborização urbana que permite que os moradores da cidade solicitem árvores.

Requalifiquei o Parque Ecológico da Maré preservando a qualidade de vida na favela, transformando uma área histórica em um verdadeiro hub de serviços e de cultura para a população.

No meio de tanta luta, não esqueço quem sou fora dos gabinetes. Sou portelense, vereadora e mãe. Sou candidata a deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores e sigo trabalhando para que o urbanismo e a política sejam, finalmente, instrumentos de justiça para a maioria da nossa gente.

Como deputada federal pelo Rio de Janeiro, pretendo transformar em política nacional o que testei e comprovei na gestão municipal. Em seis anos de mandato e três anos à frente da Secretaria de Meio Ambiente e Clima, pude ver que as cidades brasileiras, inclusive suas periferias e favelas, precisam de soluções técnicas, planejadas e permanentes, e não de respostas emergenciais a cada nova crise climática ou social. Vou trabalhar para que as soluções que funcionaram no Rio de Janeiro se tornem referência para todo o país. Meu compromisso é seguir tratando a cidade, a cultura e o clima como o que são: instrumentos de justiça social e ambiental. É esse legado que quero levar do Rio de Janeiro para o Brasil.